Pensamentos Olavianos

Novembro 24, 2006

Consumo, logo existo

Arquivado em: Olavianeidades — Olavo @ 9:13 am

 

Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. “Quem trouxe a fome foi a geladeira”, disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc.A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais – manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.

A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.

Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos “Manuscritos econômicos e filosóficos” (1844), ele constata que “o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós.” O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.

Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia?

Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela…

Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.

Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.

Comércio deriva de “com mercê”, com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.

Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. “Nada poderia ser maior que a sedução” – diz Jean Baudrillard – “nem mesmo a ordem que a destrói.” E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. “Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático”, respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz”.

Frei Betto – Frei dominicano. Escritor.

Sei que este tema já esta bem debatido, mas sempre é bom relembrar.

Novembro 22, 2006

Olavianos – Nova Versão

Arquivado em: Olavianeidades — Olavo @ 6:54 am

Bom dia meu povo. Se vocês ouvirem algo do tipo “O Olavo tá internado pq tomou 3 litros de Kboa pq a namorada terminou com ele” é mentira! Inventaram isso na locadora pq esse povo n tem o q falar então fica inventando coisas do tipo e passando pra todos. O pior é o comentário que estas pessoas devem fazer ao ouvir tal notícia, do tipo: “E ainda fazia psicologia hein? Por isso q não confio neles, se matam mais fácil que a gente.” E lá se vai a credibilidade de anos e anos de profissão. Por causa de gente q n tem o que fazer e fica falando merda dos outros.

Mas a verdade é que fiquei internado até ontem (terça) e estou de molho aqui em casa. Sábado de manhã acordei comuma dor muito forte no abdomem e fui pra urgência do Espanhol. De lá não sai. Na segunda pela tarde fiz a cirurgia para a retirada dos cálculos da visícula, e também a visícula. Da cirurgia só me lembro do médico falando ao meu lado “eu já estou pronto”. Depois disso só me lembro de uma sala estranha e uma voz dizendo “Olavo, não durma! você tem que respirar!” Tava quase morrendo e não sabia… era por causa da anestesia geral. Bom na terça o médico passou de manhã e me deu alta, falou que minha cirurgia tinha sido nos moldes americanos e que minmha mãe tinha feito (a muito tempo atrás) a cirurgia nos moldes europeu. Eu fiquei meio chateado com o médico: “Logo a americana??? Pow… prefiro a européia.” Mas não quis ser xiita e aceitei o meu destino.  E agora estou aqui, depois de dormir 16 horas seguidas. Com uma barriga inchada e cheia de costura. Parecendo filme de terror.

Novembro 14, 2006

Para quem duvida da força de um filme…

Arquivado em: Olavianeidades — Olavo @ 10:21 pm

 

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Manifestantes da Fundação “Nós Somos o Povo” se reúnem fantasiados como personagem do filme “V de Vingança” durante protesto diante do Departamento de Justiça de Washington, EUA.

Fonte: UOL Últimas Notícias (14/11/2006)

Novembro 2, 2006

Malvados

Arquivado em: Olavianeidades — Olavo @ 2:56 am

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